Foto 1 - Como nasce e morre o fascismo - Clara Zetkin

Como nasce e morre o fascismo - Clara Zetkin

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Intelectual revolucionária alemã que iniciou sua trajetória na juventude, no final do
século XIX, Clara Zetkin teve papel fundamental na história do marxismo. Ao lado de
Rosa Luxemburgo, assassinada em Berlin em 1919, editou entre 1891 e 1917 o jornal
'Die Gleichheit' (A Igualdade), uma revista bimensal para mulheres operárias,
participou da ala esquerda do Partido Social-democráta Alemão (SPD), e, mais tarde,
fundou e militou no Partido Comunista Alemão (KPD). Clara teve um papel central na
articulação da Internacional Comunista, criada em 1919.
Notabilizada pelo seu importante ativismo pela causa das mulheres
trabalhadoras, Clara, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas
realizada em Copenhague, em 1910, propôs a criação do Dia Internacional da Mulher,
data que ainda mantêm grande importância na história do feminismo até hoje.
Entretanto, o que se comenta menos é seu papel no debate teórico sobre a natureza do
fascismo, cuja importância é reconhecida até por historiadores conservadores.
Clara, diferente de outros inteletcuais da época, entendia o fascismo para além
de um regime ditatorial convencional. O fato de que tais facções políticas estivessem
baseadas num movimento de massas, bancadas pela burguesia com o propósito de,
através do terrorismo extra-legal, levar a liquidação da esquerda, é tomado por ela como
exemplo da singularidade do fascismo.
Além das opções da burguesia, a fragilidade da direção da classe trabalhadora é
outro elemento explicativo que sinaliza à emergência do regime de Benito Mussolini.
Na Itália, a vaga revolucionária aberta após a revolução russa, chamada Biennio Rosso,
envolveu uma onda de ocupações de fábricas em Turim e outras cidades do norte
industrial entre 1919 e 1920, com a formação de conselhos de fábrica, somando-se ao
desenvolvimento de ligas de trabalhadores rurais socialistas no sul da Itália. Essas lutas
que emergiam foram traídas pelo Partido Socialista Italiano (PSI), que acreditava na
política de apaziguamento com os interlocutores fascistas. O partido chegou ao ponto de
celebrar um 'acordo de não agressão' em 3 de agosto de 1921, desmoralizando as
iniciativas de autodefesa da classe trabalhadora.
No Brasil, onde a ameaça fascista apresenta a ponte de lança de uma agenda
econômica neoliberal, alguns argutos analistas têm receio em caracterizar como fascista
o movimento político em torno da candidatura de Jair Bolsonaro. Mas a suposta
incompatibilidade entre fascismo e liberalismo econômico pode ser facilmente

desmistificada quando se estuda as opções assumidas por Mussolini no início do seu
longo mandato.
Seu primeiro Ministro da Fazenda, o intransigente livre-cambista Alberto De
Stefani (1879-1969), deu até 1925 uma orientação liberal à economia enquanto se
atacava as liberdades democráticas. Como lembra o historiador Donald Sassoon, De
Stefani reduziu impostos, aboliu isenções fiscais que beneficiavam contribuintes de
baixa renda e facilitou o mercado de ações e a evasão fiscal. Também retirou controle
sobre os preços dos alugueis e promoveu privatizações.
Como afirmou Clara Zetkin: 'as empresas públicas estão sendo entregues para
administradores privados, a manufatura de fósforos, antes um monopólio estatal, acabou
nas mãos de investidores. O mesmo ocorreu com o serviço de entregas postais, a
indústria telefônica, o serviço de rádio e telégrafo, assim como com as ferrovias.
Mussolini afirmou que os fascistas eram liberais no sentido clássico da palavra.'
O suposto compromisso dos liberais com as liberdades democráticas é tão
somente circunstancial e há entre eles muitos atores que nunca morreram de amores
pela democracia liberal. Em diversos aspectos, Clara adianta muito do que haveria de
melhor da elaboração marxista posterior, bem como da historiografia mais refinada
sobre o tema; e se torna ainda mais atual quando a ameaça (neo)fascista se apresenta
novamente. É preciso lê-la, entendê-la e resistir!

Demian Melo - Professor Adjunto de História Contemporânea do curso de Políticas
Públicas da Universidade Federal Fluminense (UFF)